Idéias sobre o pessimismo e a metafísica do mundo

mural filosófico: não venham com besteiras arrogantes, atenham-se aos fins da arte e da filosofia como formas concretas de vida.

Nome: idéias sobre pessimismo e metafísica do mundo

alguém vivo

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Big Brother, segurança e corrupção.

Recebi a visita de um amigo meu do interior. Líder comunitário, ex-militante do movimento estudantil, atualmente enfrentando corruptos da área de saúde pública; o rapaz é um típico batalhador das causas sociais. Reclamou que em Cascavel a prefeitura está introduzindo micro-câmeras de segurança distribuídas de tal modo que a vigilância recai toda sobre quem vem da favela para o centro. É um preconceito de classe já que trata como criminoso o indivíduo da periferia, da vila. Eu, porém, que já fui assaltado 5 vezes defendo o uso dessas câmeras de segurança. Inclusive dentro das salas de aula onde professores são agredidos e não conseguem juntar provas para pedir justiça.

Aliás, disse ao amigo que sou iluminista e quero todas as áreas ou o maior número possível delas, das que pertencem à esfera pública, publicizadas, isto é, iluminadas pelo foco das digitais (em tempo real de preferência). Defendo a partir de agora a instalação de câmeras não apenas nos chamados focos de violência, como ruas, escolas e etc mas, para começar, nos gabinetes de prefeitos, vereadores, governadores, presidente da república, o que for.

Assim, quero saber o que os senadores e deputados fazem nos seus gabinetes, preservada evidentemente sua toallete. Afinal não é justo que além de roubarem nosso dinheiro no atacado, ao contrário do batedor de carteiras da Rua XV (pobre varejista), ainda utilizem os prédios públicos para fecharem conchavos, ou as linhas telefônicas pagas com os nossos impostos para tratarem assuntos de interesse nacional como se fossem particulares.
Big Brother total

Domingo, Abril 23, 2006

611

611 "O tédio e o jogo. - A necessidade nos obriga ao trabalho, e com o produto deste a necessidade é satisfeita; o contínuo redespertar das necessidades nos acostuma ao trabalho. Mas nos intervalos em que as necessidades estão satisfeitas e dormem, por assim dizer, somos assaltados pelo tédio. O que é o tédio? É o hábito do trabalho mesmo, que se faz valer como uma necessidade nova e adicional; será tanto mais forte quanto mais estivermos habituados a trabalhar, e talvez quanto mais tivermos sofrido necessidades. Para escapar ao tédio, ou o homem trabalha além da medida de suas necessidades normais ou inventa o jogo, isto é, o trabalho que não deve satifazer nenhuma outra necessidade a não ser a de trabalho. Quem se fartou do jogo, e não tem novas necessidades que lhe dêem motivo para trabalhar, é às vezes tomado pelo desejo de uma terceira condição, que está para o jogo assim como o pairar para o dançar, e o dançar para o caminhar, uma movimentação jubilosa e serena: é a visão da felicidade que têm os artistas e filósofos."
Nietzsche, Humano, Demasiado Humano

O tédio e o jogo

611 - "O tédio e o jogo. - A necessidade nos obriga ao trabalho, e com o produto deste a necessidade é satisfeita; o contínuo redespertar das necessidades nos acostuma ao trabalho. Mas nos intervalos em que as necessidades estão satisfeitas e dormem, por assim dizer, somos assaltados pelo tédio. O que é o tédio? É o hábito do trabalho mesmo, que se faz valer como uma necessidade nova e adicional; será tanto mais forte quanto mais estivermos habituados a trabalhar, e talvez quanto mais tivermos sofrido necessidades. Para escapar ao tédio, ou o homem trabalha além da medida de suas necessidades normais ou inventa o jogo, isto é, o trabalho que não deve satifazer nenhuma outra necessidade a não ser a de trabalho. Quem se fartou do jogo, e não tem novas necessidades que lhe dêem motivo para trabalhar, é às vezes tomado pelo desejo de uma terceira condição, que está para o jogo assim como o pairar para o dançar, e o dançar para o caminhar, uma movimentação jubilosa e serena: é a visão da felicidade que têm os artistas e filósofos."
Nietzsche, Humano, Demasido Humano

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006

Mini debate sobre o aforisma 254

254.
Crescimento do interesse. – No curso de uma formação superior tudo se torna interessante para o homem, ele sabe ver rapidamente o lado instrutivo de uma coisa e indicar o ponto em que, utilizando-a, pode completar uma lacuna de seu pensamento ou confirmar uma idéia. Assim é afastado cada vez mais o tédio, e também a excessiva sensibilidade emocional. Por fim ele anda entre os homens como um naturalista entre as plantas, e percebe a si mesmo como um fenômeno que estimula fortemente o sue impulso de conhecer.

Nietzsche, Humano, Demasiado Humano .



Carla disse:
"quanto a sensibilidade emocional Não. Até mesmo os preconceitos advindos de um conhecimento majoritariamente a priori não impedem que nos guiemos por toda força de nossas emoções.Mudam os critérios, mas sentimos com a mesma intensidade. Não há como treinar o sentir Roberto, e o desenvolvimento de aptidões intelectuais não tem nada a ver com isso. Essa generalização não cabe."



Escrevi o texto abaixo respondendo o comentário:

Conhecimento "majoritariamente a priori"??? O que você quis dizer com isso?
Bem, seja lá o que for, não parece se aplicar ao aforisma em questão. Quanto a "treinar o sentir", não vejo porque seja algo impossível, pelo contrário: a civilização humana é um projeto visando domar a animalidade humana.

A "generalização" de Nietzsche é concisa e coerente: na medida que se torna mais "científico" o homem adquire recursos intelectuais para afastar o tédio e a excessiva sensibilidade emocional. Pode-se pensar que há uma correspondência entre intelecto e a inteligência emocional do indivíduo.

A "formação superior" permite ao indivíduo preencher lacunas de seu pensamento e isso por si só, é um modo de afastar o tédio. Aliás, como era um psicólogo sofisticadíssimo, Nietzsche deve ter intuido a relação entre o tédio - proveniente da baixa da capacidade intelectual - e a excessiva sensibilidade emocional. Tédio é uma espécie de depressão. A excessiva sensibilidade emocional é alimentada pelo tédio. Quando penso em tédio me vem a cabeça a imagem daquele pedante, metido a intelectual, que acha que sabe muito e portanto se enfastia com o mundo limitado e inferior que vê ao seu redor. Esse indivíduo refugia-se na sensibilidade em nome de seu medo de se arriscar a aprender algo novo, ou a pensar em outra perspectiva. Além disso, ainda crê que está defendendo a última fronteira da autenticidade: a emoção. (em tempo: padecem de uma profunda presunção intelectual: acham que estão entediados porque se acham muito inteligentes)

Comenta-se muito sobre o rompimento de Nietzsche com o romantismo que tinha justamente essa idéia: oh, não posso mais suportar tanta emoção! meu coração é verdadeiro e superior ao pensamento! Nietzsche, creio, deve ter mandando os representantes dessa idéia para o inferno.

O teu comentário, Carla, teria destino parecido, se me permite a brincadeira, pois parte de uma distinção entre pensar e sentir com a qual Nietzsche talvez não concordasse. E como há uma ligação direta entre pensar e sentir - eles são o mesmo - um pode influenciar o outro perfeitamente. Portanto, um pensamento aguçado leva a um sentir aguçado e vice-versa. Aqueles que acham que sentem coisas muito intensas - tédio, por exemplo - e que acham-nas superiores ao pensamento, na verdade sofrem de fraqueza mental e, por consequencia, emocional.

Mas, concordar que um indivíduo ideal, como Nietzsche apregoa, suporta todas as adversidades da existência, o tempo todo, é realmente difícil. Essa generalização, porém, não se pode dizer que ele tenha cometido. Ele apenas alega que, estando com a mente a todo vapor - não em velocidade, mas em qualidade de intelecção - o indivíduo obtem recursos que naturalmente vão do racional ao emocional, já que não há interrupções entre eles.
Isso basta?

O comentário de Carla

Conhecimento "majoritariamente a priori"??? O que você quis dizer com isso?
Bem, seja lá o que for, não parece se aplicar ao aforisma em questão. Quanto a "treinar o sentir", não vejo porque seja algo impossível, pelo contrário: a civilização humana é um projeto visando domar a animalidade humana. A "generalização" de Nietzsche é concisa e coerente: na medida que se torna mais "científico" o homem adquire recursos intelectuais para afastar o tédio e a excessiva sensibilidade emocional. Pode-se pensar que há uma correspondência entre intelecto e a inteligência emocional do indivíduo. A "formação superior" permite ao indivíduo preencher lacunas de seu pensamento e isso por si só, é um modo de afastar o tédio. Aliás, como era um psicólogo sofisticadíssimo, Nietzsche deve ter intuido a relação entre o tédio - proveniente da baixa da capacidade intelectual - e a excessiva sensibilidade emocional. Tédio é uma espécie de depressão. A excessiva sensibilidade emocional é alimentada pelo tédio. Quando penso em tédio me vem a cabeça a imagem daquele pedante, metido a intelectual, que acha que sabe muito e portanto se enfastia com o mundo limitado e inferior que vê ao seu redor. Esse indivíduo refugia-se na sensibilidade em nome de seu medo de se arriscar a aprender algo novo, ou a pensar em outra perspectiva. Além disso, ainda crê que está defendendo a última fronteira da autenticidade: a emoção. Comenta-se muito sobre o rompimento de Nietzsche com o romantismo que tinha justamente essa idéia: oh, não posso mais suportar tanta emoção! meu coração é verdadeiro e superior ao pensamento! Nietzsche, creio, deve ter mandando os representantes dessa idéia para o inferno.
O teu comentário, Carla, teria destino parecido, se me permite a brincadeira, pois parte de uma distinção entre pensar e sentir com a qual Nietzsche talvez não concordasse. E como há uma ligação direta entre pensar e sentir - eles são o mesmo - um pode influenciar o outro perfeitamente. Portanto, um pensamento aguçado leva a um sentir aguçado e vice-versa. Aqueles que acham que sentem coisas muito intensas - tédio, por exemplo - e que acham-nas superiores ao pensamento, na verdade sofrem de fraqueza mental e, por consequencia, emocional.
Mas, concordar que um indivíduo ideal, como Nietzsche apregoa, suporta todas as adversidades da existência, o tempo todo, é realmente difícil. Essa generalização, porém, não se pode dizer que ele tenha cometido. Ele apenas alega que, estando com a mente a todo vapor - não em velocidade, mas em qualidade de intelecção - o indivíduo obtem recursos que naturalmente vão do racional ao emocional, já que não há interrupções entre eles.
Isso basta?

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

comentário ao aforisma 254

Como disse um colega meu, professor de matemática, a filosofia muda a maneira como vemos o mundo.

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

254.
Crescimento do interesse. – No curso de uma formação superior tudo se torna interessante para o homem, ele sabe ver rapidamente o lado instrutivo de uma coisa e indicar o ponto em que, utilizando-a, pode completar uma lacuna de seu pensamento ou confirmar uma idéia. Assim é afastado cada vez mais o tédio, e também a excessiva sensibilidade emocional. Por fim ele anda entre os homens como um naturalista entre as plantas, e percebe a si mesmo como um fenômeno que estimula fortemente o sue impulso de conhecer.

Nietzsche, Humano, Demasiado Humano.

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

comentário ao aforisma 506

Nietzsche parece estar falando de algo muito simples aqui: aliás ele sempre parece, num primeiro momento, ser claro em suas idéias. Claro que há exceções em que ele é bastante obscuro. Mas Humano, Demasiado Humano foi para mim um dos livros mais compreensíveis do filósofo alemão. "Genealogia da Moral" também é bastante claro.
No 506 temos uma idéia simples: quando é perigoso dizer a verdade muitos aparecem, encantados pelo desafio, pela ânsia de obterem uma glória difícil, candidatando-se a defensores da verdade. Mas quando é enfadonho poucos se dispõem por considerarem inexistente o prêmio que os esperaria ao final de uma batalha perigosa. Creio que é mais ou menos isto. Trata-se de uma idéia "simples", mas que encerra uma sofisticada percepção da psicologia humana. De fato às vezes há verdades chatas e repetitivasas quais preferimos uma mentira complexa para não parecermos tediosos. Há uma percepção da psicologia e uma crítica sutil, que se arrisca a padecer do mal que denuncia.

Sábado, Dezembro 31, 2005

506.
Defensores da verdade. – Não é quando é perigoso dizer a verdade que ela raramente encontra defensores, mas sim quando é enfadonho.

Comentário do Rodrigo

Rodrigo disse...
Oi Roberto,Outro blog filosófico: http://rmarquezsullivanphd.blogspot.com

Lugar para pegar um contador de acessos: www.sitemeter.com

Também já fui blogueiro. Agora estou criando um misto de homepage e blog, www.cce.ufsc.br/~fernandesrp

Embora tenhamos interesses profissionais muito diferentes, para mim o seu blog provavelmente será massa.

Abraço, Rodrigo