domingo, 23 de abril de 2006

611

611 "O tédio e o jogo. - A necessidade nos obriga ao trabalho, e com o produto deste a necessidade é satisfeita; o contínuo redespertar das necessidades nos acostuma ao trabalho. Mas nos intervalos em que as necessidades estão satisfeitas e dormem, por assim dizer, somos assaltados pelo tédio. O que é o tédio? É o hábito do trabalho mesmo, que se faz valer como uma necessidade nova e adicional; será tanto mais forte quanto mais estivermos habituados a trabalhar, e talvez quanto mais tivermos sofrido necessidades. Para escapar ao tédio, ou o homem trabalha além da medida de suas necessidades normais ou inventa o jogo, isto é, o trabalho que não deve satifazer nenhuma outra necessidade a não ser a de trabalho. Quem se fartou do jogo, e não tem novas necessidades que lhe dêem motivo para trabalhar, é às vezes tomado pelo desejo de uma terceira condição, que está para o jogo assim como o pairar para o dançar, e o dançar para o caminhar, uma movimentação jubilosa e serena: é a visão da felicidade que têm os artistas e filósofos."
Nietzsche, Humano, Demasiado Humano

6 comentários:

jair_minotinho disse...

Já faz mais de dois anos que a gente é obrigada a olhar para páginas azul-calcinha todos os dias. E como o legal da vida é personalizar as coisas, deixá-las com a nossa cara, queremos, com esta campanha, convencer os criadores do orkut a disponibilizar a opção rosa (e laranja, e roxa, e amarela...).

Ao lançar uma campanha por um orkut cor-de-rosa, queremos lançar a campanha por um mundo mais leve, gostoso e divertido. Não é um discurso por um mundo feito apenas de fantasia (se bem que um pouco de fantasia não faz mal). Muito menos um mundo para patricinhas, para o "tudo-rosa". É para o jeito rosa de ver a vida, de virar as coisas do avesso e rir um pouco com tudo isso.

jair_minotinho disse...
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idéias sobre pessimismo e metafísica do mundo disse...

Blá, blá, blá, é tudo blá nesse blog!

Apenas para poder fazer comentários... disse...

HORAS MACILENTAS
Quem saberá, incautos e libertinos,
Destas horas dormentes,
Em que se trafega no obscurecer da vida?
Pelas escusas vias da solidão material,
Muitos devoram as próprias mãos...
E sequer se espera a hora crua e triste
Das cinco da tarde,
Para que se enxote dos seres
Toda e qualquer sombria dignidade.
Hoje são gerações que se desprendem
Num grito abafado pela violência do rádio,
De seu pensar e de seu viver.
Sobrevivem, sem adornos,
Em horas macilentamente doentes,
Sua dormente desigualdade vitimada.
Enquanto estes se levantam,
Aqueles há que sequer deitaram-se
Na fúnebre esperança de seu salário.
Retornam, sem entender o porquê,
Às suas cavernas isoladas
Onde o pão é raro e a seca carne
Foi infalivelmente minimizada.
E são tantos os rostos a trafegar
A vegetar, a aguardar...
Quem sequer poderia imaginar,
Lúbricos,
Que neste dias vespertinos
O Homem devoraria o Homem?
Por entre os gigantes vorazes
As pequenas ovelhas cobaias vêm
E são as sombras delas que as levam,
Pois seus ossos desnudos
Não são mais o relógio cartesiano da perfeição.
Elas vêm lamber impudicamente
Os pés da opressão,
Pastando caladamente
Suas misérias e doenças.
Dormindo ignorantes de sua coletividade,
Seguem sem saber aos fornos
Da nova Inquisição,
Promovida de forma ignominiosa
Nos porões e nos salões
Da memória Capital (lista?).
Assim,
Palidamente vão-se as horas,
Dos que nada tem e fingem
No seu vazio de átomos,
A consistência úmida e insegura
De um mero resquício de consciência.
Jaqueline Lazzaron
(Para meu amigo inesquecível...)

Rodrigo Fernandes disse...

Oi Roberto, será que ainda movimentas este treco. De qualquer maneira, o texto é ótimo. Gostaria de compartilhar outra citação. Quem estiver neste exato momento no meu site experimental, poderá ver a capa do Theory of Meaning de onde retiro o trecho do espirituoso John Austin. E isto é possível porque estou trasmitindo uma ao vivo pela web cam.
Dadas as explicações, segue o texto de The mesning of a word:
"Suppose that I ask "What is the point of doing so-and-so?" For example, I ask Old Father Willian "What is the point of standing on one´s head?" He replies in the way we know. Then I follow this up with "What is the point of balancing an eel on the end one´s nose?" And he explains. Now, suppose I ask as my third question "What is the point of doing anything - not anything in particular, but just anything?" Old Father Willian would no doubt kick me downstairs without the option. But lesser men, raising this same question and finding no answer, would very likely commit suicide or join the Church. (Luckily, in the case of "What is the meaning of a word?" the effects are less serious, amounting only to the writing of books).

Rodrigo
www.cce.ufsc.br/~fernandesrp

Hocus Pocus disse...

Nico do bigode é foda...

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