quarta-feira, 30 de junho de 2010

The Big Blattowski

Juliano Grus

Grande Blatt, ler seus textos é como conversar pessoalmente com Diógenes de Sinópe em seu mais puro cinismo, uma verdadeira comédia de humor negro recheada de conclusões bombásticas.


Não é de hoje que conheço seu lado mais impetuoso, desde as fabulosas cantadas às prostitutas do Passeio púbico, digo, público, até a recomendação que me fez para assistir “Saló”, há uns dez anos atrás. Nesta ocasião lembro-me que fiquei chocado, mas fui até o fim naquela sessão de Cine Ritz que começou com umas quinze pessoas e no clarear do abre e fecha da porta na lateral da sala, restei eu e um outro indivíduo com aparência suspeita ao final da sessão. Na mesma ocasião conversei com minha irmã, não estou lembrado se mencionei, mas ela me perguntou por que eu estava tão estranho e respondi que tinha assistido a um filme poderoso, sem maiores explicações. Ela perguntou: onde? E eu disse: no Cine Ritz! Depois ela queria me matar, porque conheceu um gatinho que lhe convidou para ir ao cinema e sem saber recomendou que fosse ao Ritz ver um filme poderoso com ela (queria fazer moral, visto minha recomendação, já que sou cinéfilo), ela me disse que o cara nunca mais ligou. Ela se sentiu uma doente.


Blatt, que você é um doente eu já sabia, pois nos negamos a seguir recomendações da mesma receita, esta mesma que o Tartas abusa antes de tomar chope. Acho o Pasolini um tarado brocha que fazia sexo com a cabeça que tem acima do pescoço (quando não estava a andar de ré), no entanto li “Saló” depois disso, por curiosidade, e constatei que o saudoso Maquês ganha de nós quatro juntos, não nós de quatro juntos, falo de mim, você, Tartas e Pasolini (que por sorte morreu do jeito mais glamuroso para ele), seria um terror uma suruba dessas, no entanto creio que não podemos comparar obras cinematográficas com fílmicas, e apesar da demência acho Pasolini fabuloso em seu contexto.


Ainda não vi o tal do Accattone, mas vou procurar. Depois disso vou te convidar para sairmos com uma amiga minha que trabalha no laboratório de física nuclear de Gran Sasso, na Itália, que está na área, não sei se ela vai curtir Pasolini, mas podemos encher a cara de vodka com clonazepan e perguntar a ela se o Grande Colisor de Hádrons vai acabar com o mundo num buraco negro.
Beijo!

1 comentários:

reportagem disse...

ERRATA:
"...comparar obras cinematográficas com literárias..."

Juliano Grus.

Postar um comentário